A altura sempre cativou o homem, desde os primórdios tempos das cavernas.
Há algo de místico nisso, alguma proximidade com o divino, alguma sensação de controle. Talvez faça parte do nosso subconsciente desde a época em que fugíamos de predadores e a visão privilegiada trazia alguma vantagem estratégica.
Depois de vos presentear com essa profunda filosofia, agora posso falar do local da postagem de hoje, a Serra do Umbuzeiro, em Paulo Afonso/BA.
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| Vista do topo da Serra do Umbuzeiro |
Essa formação geológica (notem aqui o requinte do meu vocabulário científico) possui impressionantes 260 metros acima do nível da cidade de Paulo Afonso. Seu ponto mais alto permite uma visão de 360 graus da região e uma de suas faces é uma parede quase vertical.
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| Fenda esculpida pelo tempo que transpõe a rocha |
É incrível como um lugar como esse não é largamente conhecido e explorado turisticamente. Cabe então a este desbravador que vos fala oferecer a vocês as vias para desfrutar desse privilégio.
Como chegar
A Serra do Umbuzeiro situa-se a 24 quilômetros do cento da cidade de Paulo Afonso. É possível vê-la, imponente, a oeste de qualquer ponto cidade.
É possível chegar à base da serra com qualquer tipo de carro. A graça não está nessa parte, o divertido mesmo é a subida a pé.
- Vá até Paulo Afonso e se hospede lá, a não ser que você seja aventureiro "último grau" e resolva acampar na própria serra. É possível e bem interessante;
- Saia da cidade pela BA-210 em direção a Delmiro Golveia e em seguida (à direita no trevo da PF) siga pela BR-110 em direção a Jeremoabo;
- O primeiro vestígio de civilização será um lugarejo chamado Riacho (os nativos chamam de Riachinho);
- À esquerda, entre ao lado da igreja matriz e siga pela estrada de terra que leva à casa de Maria Bonita (que ainda será tema de uma postagem aqui);
- Passe no conjunto arquitetônico de Dona Generosa, grande coiteira de Lampião, local que guarda muitas histórias do cangaço;
- Em um desvio curto à direita, chega-se ao ponto onde é preciso deixar o carro e seguir por uma trilha íngreme a pé. Grau de dificuldade baixo e uma vista espetacular.
| Capela do conjunto arquitetônico de Dona Generosa. Serra ao fundo. |
Como eu disse no início, esse não é um ponto turístico comumente explorado, então nem se aventure em chegar lá por conta própria. Você precisará de um guia.
É possível procurar empresas de turismo na própria cidade de Paulo Afonso ou adotar o modo alternativo, baixo custo, aventureiro e pegar um guia nativo no próprio distrito do Riachinho. Claro que foi essa a opção que adotamos, afinal a melhor maneira de interiorar é conhecer gente que possui, de fato, a cultura do lugar.
Nosso "guia" chamava-se Seu Zé, que nunca foi guia de nada. Era simplesmente um criador de cabras que cresceu na região e subia e descia a serra seguindo caprinos com seu cajado. Perguntamos se ele topava nos levar até o topo da serra e ele aceitou na hora.
Seu Zé se perdeu várias vezes durante a subida. Diversão pura, a legítima exploração do local, bebendo água de croatá e ouvindo histórias sertanejas.
A Serra
A formação é um elevado de rocha no centro de uma grande planície. Uma de suas faces é vertical e a outra decai gradualmente, como se fosse um convite da natureza para que o mirante lá no alto seja alcançado.
A trilha é um caminho estreito em meio à caatinga. O escasso tráfego de pessoas exige o uso de um facão eventualmente, mas nada que impeça a caminhada.
| Início da trilha na base da serra. |
| Um urubu tomando sol tranquilamente. |
Ao longo de milhões de anos, a água e o vento esculpiram os paredões e deram formas bem peculiares às pedras.
| Vista a meio caminho da subida. |
| Formação rochosa que lembra um pato. |
| Parte superior da serra. |
| O vôo dos urubus é parte da paisagem no sertão. |
| "Buraco da onça". Gruta no topo da serra. |
Este é um lugar que, definitivamente, vale a pena se conhecer.


